#7 lugares para comer que representam a história do Bixiga

O Bixiga é o mais tradicional bairro de São Paulo e está muito acima das delimitações do distrito da Bela Vista. Este território, que neste dia 01 de outubro de 2017 completa 139 anos, possui uma enorme importância histórica e cultural para toda a cidade. Bixiga dos negros, dos italianos, dos nordestinos. Bixiga de Nossa Senhora Achiropita e da Escola de Samba Vai-Vai. Bixiga dos teatros, do rock e da boemia. Bixiga de Adoniran e de tantas Saudosas Malocas. Bixiga, onde o samba amanhece! Comer no Bixiga te coloca dentro dessa história.

“Bixiga é um estado de espírito”, diria Armando Puglisi, um dos maiores divulgadores das tradições Bixiguentas. O bairro luta diariamente por sua sobrevivência cultural e para manter a sua memória viva. E para celebrar o aniversário desta terra tão querida, o Portal do Bixiga apresenta esta série que conta pedaços da história do bairro através da gastronomia.

Venha saborear os ‘#7 lugares para comer que representam a história do Bixiga’.

PATUÁ – COMIDA AFRO

Entrada do restaurante Patuá (comer no Bixiga)

Restaurante Patuá

O Bixiga tem como data de fundação o dia 01 de outubro de 1878, dia em que D. Pedro II lançou a pedra fundamental do bairro. Mas muito antes deste evento, antes mesmo da chegada dos imigrantes italianos, os negros já habitavam essas terras. Eles fugiam dos leilões de escravos que eram realizados no Vale do Anhangabaú e chegavam à região pelo rio Saracura. Em 1831 foi feito até um documento solicitando o fechamento do acesso do Rio Anhangabaú para o Saracura com o objetivo de impedir a fuga de escravos. Quilombos urbanos foram se formando e, após a abolição da escravatura, os negros recomeçaram suas vidas no Bixiga.

E para representar a colonização dos africanos no Bixiga, apresentamos o Patuá.

É num espaço quase secreto que você encontra a melhor representação da comida afro do Bixiga, feita com todos os requintes e com todo o respeito que essa cozinha deve ter. No porão de um desses casarões antigos e bem típicos do Bixiga, Hélia Bispo, conhecida por todos como Bá, criou o restaurante Patuá.

O local é caprichosamente decorado com temas afro e baianos. Os detalhes vão desde as toalhas coloridas com búzios até o guarda-chuva pendurado na parede que foi de sua avó, D. Maria, mulher forte que enfrentava coronéis e morreu aos 102 anos. Foi ela quem passou a arte de cozinhar para Bá.

Restaurante Patuá - Bá | Comer no Bixiga

Bá, proprietária do Patuá

Hélia nasceu em Amargosa, uma pequena cidade do interior da Bahia. Quando tinha uns 15 anos, numa viagem à capital do estado, viu uma reportagem sobre o Bixiga na televisão da janela do vizinho. “Eu fiquei encantada com o que vi. Que coisa linda era o Bixiga! A liberdade, os hippies fazendo anéis, poesias de cordel penduradas, pessoas na rua. Disse para meu pai: um dia vou morar nesse lugar!” E aos 27 anos de idade, a baiana Bá desembarcava em São Paulo, numa madrugada de agosto. Por causa do frio pensou até em voltar, mas o sonho paulistano falou mais alto.

Depois de ficar uns dias no Campo Limpo, foi dividir aluguel com um amigo pertinho do teatro Maria Della Costa. Enfim, Bixiga! Mesmo trabalhando durante o dia ela resolveu tirar uma renda extra nas noites agitadas do bairro dos seus sonhos. Fez seu próprio tabuleiro e foi vender seu acarajé na Rua 13 de Maio. A pequena barraca com fogareiro de carvão foi se transformando em uma grande tenda que virou point. Abria às 9h do sábado e fechava somente às 14h do domingo. Era final dos anos 90 e ela viu toda a cena da boa fase da boemia do bairro acontecer. “Naquela época a 13 de Maio tinha teatro, cinema, livraria. As pessoas bebiam, mas eram muito conscientes de tudo. Era a boemia pé no chão.”

No começo do ano 2000 sua barraca foi confiscada. Bá então precisava arrumar outra forma de vender sua comida e atender sua fiel clientela. Foi quando ela encontrou a casa onde hoje funciona o Patuá. O imóvel estava muito velho, mas enquanto ela reformava o porão com suas próprias mãos, vendia seu acarajé onde hoje é seu quarto.

Acarajé do Restaurante Patuá | Comer no Bixiga

Acarajé do Restaurante Patuá

E quem quiser conhecer esse maravilhoso espaço, precisa telefonar e agendar. O Patuá atende de 6 a 20 pessoas. Ao ligar as pessoas conversam diretamente com a Bá, que ajuda a escolher o cardápio. É preciso ligar com uns três dias de antecedência, porque ela só trabalha com comida fresca. Além do Acarajé, ela serve diversos outros pratos da culinária afro e baiana. Bobó de camarão, moqueca de pescada, diversos pratos com peixe e frutos do mar, além de doces como torta de coco, pudim de tapioca, entre outros.

“O orgasmo do cozinheiro é ver o outro se lambuzar no prato que ele fez”, diz Helia Bispo, a Bá do Bixiga.

Patuá

Apenas por agendamento
Para agendar ligue:
3115-0513

CANTINA DA CONCHETTA – COMIDA ITALIANA

Pratos diversos da Cantina da Conchetta | Comer no Bixiga

Pratos diversos da Cantina da Conchetta – Foto: Thais Taverna

Século XIX. A Europa estava em plena revolução industrial e não havia emprego para todos. Pessoas estavam passando fome na Itália e o Brasil precisando de mão-de-obra. Em 1878 os Campos do Bexiga começaram a ser vendidos a preços convidativos, os italianos estavam chegando em São Paulo e foram os principais compradores. No começo do século XX, mais de 70% dos moradores do Bixiga eram italianos. E assim o bairro se tornou um pedacinho da Itália na cidade, uma união que fez nascer nosso sotaque, influenciou nossa cultura e colocou macarrão na mesa de todo paulistano. Mangia che te fa bene!

E para representar a colonização italiana no Bixiga, apresentamos a Cantina da Conchetta.

O Bixiga tem as melhores cantinas da cidade, mas a Cantina da Conchetta tem dois grandes diferenciais: Rodízio de Massas e Walter Taverna. Na dúvida entre comer um nhoque ou um capeletti, fique com os dois e mais uma série de outras massas e antepastos. É o farto rodízio de massas, onde você pode comer numa só refeição todos os melhores pratos da gastronomia italiana. Isso tudo com o show de panelas do senhor Walter Taverna, que é um dos maiores personagens de toda a história do Bixiga.

Walter Taverna, da Cantina da Conchetta | Comer no Bixiga

Walter Taverna, proprietário da Cantina da Conchetta – Foto: Thais Taverna

Neto de sicilianos, Walter Taverna nasceu em 1933 nos fundos de uma casa da rua 13 de Maio. Aos sete anos de idade ajudava seu pai, Carmelo Taverna, na cozinha da Cantina Capuano, a cantina mais antiga de São Paulo, ainda em funcionamento. Teve uma infância difícil, mas ganhou muitas moedas com o ofício de barbeiro. Foi um dos fundadores do Bloco Esfarrapado, em 1947, o bloco de carnaval mais longevo de São Paulo. Depois de sofrer dois duros golpes da vida, com a perda de entes queridos, resolveu dedicar-se inteiramente ao Bixiga.

Em 1978 fundou a SODEPRO, Sociedade de Defesa das Tradições da Bela Vista, cuja primeira ação foi levar a Festa de Nossa Senhora Achiropita novamente às ruas. Em 1983 lançou a Feira de Antiguidades e Trocas do Bixiga que funciona até hoje, todos os domingos, na Praça Dom Orione. Nesta mesma praça construiu o coreto, batizado de coreto Carmelo Taverna, em 1984. Batalhou pela restauração dos Arcos do Bixiga junto ao prefeito Jânio Quadros em 1987 e solicitou junto às autoridades a zeladoria da Praça dos Artesãos Calabreses. Fez o Super Pão para as crianças, em 1997, com 560 metros. Assumiu o Bolo do Bixiga após a morte de Armandinho, guloseima que entrou para o Guiness Book como o maior bolo do mundo e, para não dizer que ele só fez coisa grande, fez uma festa para os Anões e criou um departamento para eles dentro da SODEPRO.

Taverna também é um dos responsáveis pelo processo de tombamento histórico do bairro do Bixiga, maior território de bens com valor cultural protegido no estado de São Paulo. É dele também o projeto que solicita a transformação da rua 13 de Maio em calçadão com criação de estacionamento subterrâneo embaixo da Praça Dom Orione. Quem quiser conhecer mais sobre suas obras pode agendar um dia de visitas no Centro de Memória do Bixiga ou conhecer seu Walter pessoalmente na Cantina da Conchetta.

Se quiser conhecer a alma do Bixiga e o melhor da cozinha italiana, vá até a Conchetta. O tradicional restaurante, decorado com as cores da Itália e varais napolitanos, serve pratos à la carte, mas a grande pedida é mesmo o Rodízio de Massas:

Nhoque, Capeletti de Carne, Raviolli de ricota, Lazanha, Rondelli de queijo, Spaguetti, Tagliarini, Penne além de porpeta, polenta, frango a passarinho, buffet de saladas e mesa rica com antepastos italianos.

Antepastos servidos na Conchetta | Comer no Bixiga

Antepastos servidos na Conchetta – Foto: Thais Taverna

Tudo isso por apenas R$ 62,00.

A casa é pura alegria! Além de comer os mais deliciosos tipos de massa, você ainda pode assistir ao Panelaço Milagroso. Ao som da típica música Tarantella, seu Walter bate as tampas das panelas enquanto todos batem palmas. A felicidade invade o lugar.

Cantina da Conchetta

Endereço: Rua 13 de Maio, 560
Telefone: 2894-7869
www.conchetta.com.br

BOX 62 – A CHEGADA DA ARTE E DO PROGRESSO

Coxinha do Box 62 | Comer no Bixiga

Coxinha do Box 62 – Foto: Thais Taverna

O Bixiga foi o palco de uma das mais importantes revoluções nas artes do país. Foi aqui que nasceu o teatro moderno brasileiro. Em 1948, o empresário italiano Franco Zampari fundou o TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, um marco na história da dramaturgia. A semente da vida cultural estava instalada no Bixiga e novas casas de arte sugiram como o Teatro Oficina, Sérgio Cardoso, Ruth Escobar, Bibi Ferreira, entre outros. Por muito tempo o bairro ficou conhecido como “Broadway Paulistana” e até hoje é um dos principais circuitos da cultura em São Paulo. Saiba Mais.

Além das artes, o progresso também chegou ao Bixiga, dessa vez de uma forma não tão bela. Como uma cicatriz, marcou o bairro na década de 70. A construção do viaduto da ligação Leste-Oeste destruiu casas e cortou a região para ligar a Radial Leste com o Minhocão. O progresso falava mais alto em São Paulo e, apesar de ter melhorado o trânsito na cidade, também trouxe inúmeros problemas na região que até hoje são discutidos.

E para representar a arte e o progresso, a beleza e o caos do Bixiga, apresentamos o Box 62:

O undergroud poético do Bixiga. É no baixio do Viaduto Júlio de Mesquita Filho, espaço de tantos conflitos sociais, e em frente ao Teatro Oficina que você encontra o Box 62, uma lanchonete com ares de casa antiga. A cozinheira Mara Rasmussen Azenha desafia a loucura paulistana embaixo de uma das vias mais movimentadas da cidade e serve os mais deliciosos quitutes caseiros, levando-nos a relaxar durante o prazer de comer.

Mara, proprietária do Box 21 | Comer no Bixiga

Mara, proprietária do Box 62 – Foto: Thais Taverna

Como em uma obra de realismo mágico, Mara, que é formada em letras, parecia mesmo estar destinada a criar este espaço no Bixiga. Ela foi uma das precursoras do movimento boêmio da Vila Madalena, quando abriu o Bar da Terra em 1979, reduto de intelectuais e artistas. Conquistou o público dos palcos e das letras pelo estômago, clientes fiéis que agora frequentam o Box 62 e se misturaram aos moradores da Bela Vista e a ícones do teatro, como diretor José Celso Martinez Corrêa, nas mesinhas de madeira de um baixio de viaduto para se deliciar com sua comida.

Cuscuz servido no Box 62 | Comer no Bixiga

Cuscuz servido no Box 62 – Foto: Thais Taverna

O que tem de bom. As mais deliciosas coxinhas, que vão desde a tradicional, com massa de batata e recheio e frango, até às mais diferentonas, como a de massa de batata-doce com recheio de shimeji e muçarela de búfala. Cada coxinha custa em média R$ 8,50, pode parecer caro, mas a sua opinião vai mudar na primeira mordida. Há também tortas, quiches e o procuradíssimo cuscuz de camarão. Sopas exóticas como a de abóbora, maçã e gengibre também fazem parte do cardápio. Mara serve também diversos tipos de doces e pratos para uma refeição mais completa, como filé de anchova, moqueca de pescada cambucu e paleta de porco. Se quiser viver uma experiência gastronômica num lugar realmente diferente, já sabe o lugar.

Box62

Endereço: Rua Jaceguai, 557
Telefone: 3101-2786
Funcionamento: segunda a sábado, das 9h às 18h30

OPALA – OS GRANDES DO BIXIGA

Fachada do Restaurante Opala | Comer no Bixiga

Fachada do Restaurante Opala, na esquina da 13 de Maio com a Manoel Dutra

O Bixiga tem a maior área tombada pelo patrimônio histórico do estado de São Paulo, também temos a grandiosa festa de Nossa Senhora Achiropita, a maior festa italiana da cidade e uma das maiores do Brasil. Nossa escola de samba, a Vai-Vai, é disparada a campeã de títulos do carnaval. O Bolo do Bixiga entrou para o Guinnes Book como o maior bolo do mundo. E nosso saudoso Adoniran Barbosa é autor e intérprete da música tema de São Paulo: Trem das Onze. E é no Bixiga também que você encontra a maior e melhor costela no bafo da cidade.

E para representar os grandes do Bixiga, apresentamos o Restaurante da Opala:

O restaurante fica bem no coração do Bixiga, na esquina das ruas 13 de Maio com Manuel Dutra. Fica a 200 metros da Igreja de Nossa Senhora Achiropita e a 400 metros da Escola de Samba Vai-Vai. Quem passa por ali aos domingos pode até não entender o que está acontecendo, porque a fila é grande. Todos querem sentar, tomar uma cerveja e degustar a maravilhosa costela no bafo do Assis. Mas o lugar, que já foi uma padaria, é grande, os funcionários são atenciosos e sempre tem lugar para todo mundo. Afinal, no coração do Bixiga sempre cabe mais um.

Francisco de Assis, proprietário do Restaurante Opala | Comer no Bixiga

Francisco de Assis, proprietário do Restaurante Opala

O grande chefe por trás do restaurante da Opala é Francisco de Assis de Sousa Viana, nascido na cidade de Pedro II, estado do Piaui. Veio em busca de vitória e batalhou por isso. Assim que chegou em Sampa decidiu que queria trabalhar com comida e precisava aprender com o melhor. Arrumou um trabalho em um restaurante e tinha uma folga por semana.

Nos seus dias de descanso, começou a fazer plantão na frente do restaurante de Alex Atala e em sua quarta folga conseguiu falar com ele. Atala pegou o telefone de Assis, ficou de ligar… e ligou mesmo! Foram 7 anos trabalhando ao lado de um dos maiores chefes de cozinha do mundo e substituindo o mestre quando este viajava. Mas Assis decidiu montar seu próprio negócio e quem lhe ajudou? O próprio Atala, que o ajudou a decidir com qual tipo de comida trabalhar e Assis desenvolveu o prato com maestria: a costela no bafo.

Costela no Bafo servida no Restaurante Opala | Comer no Bixiga

Costela no Bafo servida no Opala

A costela no bafo é servida aos domingos, das 11h30 até acabar. Vem acompanhada de baião de dois, vinagrete, farofa e mandioca, sempre com uma pimentinha e manteiga de garrafa para dar um toque especial. A porção pequena custa R$ 30,00 e a grande custa R$ 58,00. Durante todos os outros dias da semana, incluindo os domingos, você pode se deliciar com o buffet, onde paga R$ 17,00 e come à vontade. São vários tipos de salada, carnes, arroz, feijão, massas, entre outros. E para aqueles que só querem tomar uma cervejinha e conversar, o Restaurante da Opala tem as mais deliciosas porções.

Opala é uma pedra preciosa encontrada em apenas 2 países do mundo: Brasil e Austrália. No Brasil é encontrada somente no município de Pedro II, cidade em que Assis nasceu. Quando adolescente, em uma de suas andanças, ele viu um brilho e ao chegar perto encontrou uma pedra Opala. Vendeu e comprou uma bicicleta. Ele então prometeu que se um dia tivesse seu próprio negócio, o nome seria em homenagem a esta pedra especial. E quem ganhou foi o bairro, porque agora temos Opala também no Bixiga.

Restaurante da Opala

Endereço: Rua 13 de Maio, 288
Telefone: 3106-5584

RANCHO NORDESTINO – COMIDA NORDESTINA

Entrada do Rancho Nordestino | Comer no Bixiga

Entrada do Rancho Nordestino – Foto: Thais Taverna

Assim como os italianos, muitos nordestinos migraram para São Paulo em busca de uma vida melhor. São Paulo era a terra das oportunidades. Os italianos chegaram no século XIX no auge da produção cafeeira. Na década de 50 a implantação da indústria automobilística gerou muitas oportunidades, e nos anos 70 a indústria e a construção civil precisavam de muita mão-de-obra. Enquanto isso no Nordeste as pessoas sofriam com a fome, a seca e as poucas oportunidades de trabalho. Os nordestinos começaram a vir para o Sudeste e o Bixiga tornou-se atrativo para essas pessoas, que chegavam na cidade com muita garra e pouco dinheiro no bolso.

Além da localização privilegiada, no centro da capital, a arquitetura também favoreceu. Os casarões antigos, que tinham sido morada dos italianos, eram divididos em quartos alugados a preços convidativos. Foi assim que o forró se juntou ao samba e à tarantella, formando um novo Bixiga, oxente!

E para representar a cozinha nordestina, apresentamos o restaurante Rancho Nordestino:

Paçoca de carne seca do rancho nordestino | Comer no Bixiga

Paçoca de carne seca servida no Rancho Nordestino – Foto: Thais Taverna

O restaurante foi criado por Raimundo Nonato, em 1984. Ele, que chegou em São Paulo em 1971 aos 19 anos, é natural de Piquet Carneiro, vilarejo do sertão do Ceará. Trabalhou em fábrica de móveis, mercearia, como garçom e por último em um dos restaurantes mais renomados de São Paulo. Foi aí que resolveu criar seu próprio negócio e fez da sua comida um sucesso. Quando inaugurou o Rancho Nordestino, a saudade da comida da terra era tanta que as pessoas se acotovelavam para tomar um caldo de mocotó. Ao lado da mulher, Gildete Santos de Oliveira, que toma a frente dos negócios em sua ausência, e dos filhos, hoje o lugar é conhecido como o cantinho do Nordeste no Bixiga.

Baião de Dois com bife de carne de Sol do Rancho Nordestino | Comer no Bixiga

Baião de Dois com bife de carne de Sol do Rancho Nordestino – Foto: Thais Taverna

O restaurante, que está sempre entre os melhores do disputadíssimo concurso Comida Di Buteco, tem como boa pedida a Paçoca de Carne de Sol e o generoso baião de dois. Os dois pratos custam em média R$ 50,00 e servem muito bem de 2 a 3 pessoas. Tem também as porções de bife de carne de sol, jabá, calabresa e costela de porco e os caldos de mocotó, sururu, fava com jabá e muito mais. E para ficar pensando melhor, o Rancho Nordestino tem mais de 57 tipos de pingas porque, como eles dizem “aqui ki nóis bebe as melhor pinga”!

Rancho Nordestino

Endereço: Rua Manoel Dutra, 498
Telefone: 3106-7257

CANNOLERIA CANNOLI DO BIXIGA – UM DOCE OLHAR PARA O BIXIGA

Cannoleria Cannoli | Comer no Bixiga

Cannoleria Cannoli do Bixiga, instalada na Praça Dom Orione

Graças ao tombamento de 908 imóveis, ainda é possível andar pelo Bixiga com um olhar saudoso. Aqui nem tudo virou prédio e muitos casarões sobrevivem. E existe um local, rodeado desses casarões, que é ponto turístico, a Escadaria do Bixiga. Construída em 1929 pelo prefeito Pires do Rio, a bela obra, com 84 degraus e 16 metros de altura, uniu a classe alta com a classe baixa do bairro. Cenário de filmes e de diversos clipes, a Escadaria foi revitalizada e hoje é espaço de convivência na região. Logo à frente da Escadaria está a Praça Dom Orione, com seu belo coreto e onde ocorre todo domingo a Feira de Antiguidades. E é nesta feira, todo domingo, que depois de olhar todas as nossas belezas, você pode provar o doce sabor do Bixiga.

E para representar o doce olhar e o doce sabor do Bixiga, apresentamos a Cannoleria Cannoli do Bixiga:

Alexandre Leggieri e seus cannolis | Comer no Bixiga

Alexandre Leggieri faz os cannolis mais famosos do Bixiga

Há 3 anos um doce carrinho chegava ao Bixiga. Alexandre Leggieri enobreceu nossa Praça com seus deliciosos cannolis. Filho de italianos e torcedor da Juventus, ele prepara em casa a iguaria seguindo toda a tradição do doce típico da Sicília (tubinho de massa frito e com recheio tradicional de ricota de búfala). O cannoli ganhou o mundo. “Leave the gun, take the cannoli” (“Deixe a arma, pegue os cannoli”). Esta falado filme “O Poderoso Chefão” fez com que o doce ganhasse fama internacional. Na Itália e em NY é possível encontrar cannolis em todas as esquinas. Aqui no Brasil você pode encontrar no Bixiga.

A qualidade e o sabor dos cannolis de Alexandre já rodou o mundo também. Buddy Valastro, o famoso Cake Boss, já apareceu no Bixiga para provar e aprovar a iguaria. Rodrigo Hilbert passou um dia inteiro na casa dos Leggieri para aprender a receita. Alexandre já participou de vários programas de TV e sempre encanta a todos com seus cannolis e com sua simpatia. Para preparar os doces ele acorda nas primeiras horas do domingo e passa a madrugada trabalhando. Vai para a feira sempre na companhia da esposa e sem dormir, mas com tudo fresquinho.

cannoleria cannolis do bixiga | Comer no Bixiga

Cannolis do Bixiga agradam aos mais diversos paladares

Além do cannoli tradicionalíssimo, seguindo todos os padrões da receita siciliana, com recheio de ricota de búfala, a Cannoleria do Bixiga tem outros sabores: O ítalo-americano, com recheio de creme de amendoim, o ítalo-argentino, com recheio de creme de leite, o ítalo-paulistano, com recheio de creme de baunilha e o recheado com Nutella! Cada cannoli está custando R$ 6,00 e o sabor encanta a cada mordida.

Cannoleria Cannoli do Bixiga

Endereço: Praça Dom Orione – todo domingo
Telefone: 96610-6084

LANCHONETE DO BARULHO – COMIDA BRASILEIRA

Feijoada da Lanchonete do Barulho | Comer no Bixiga

Feijoada é o prato mais famoso da Lanchonete do Barulho

O Bixiga, muito conhecido pela cozinha italiana, é um dos principais centros gastronômicos de São Paulo. Aqui é possível encontrar, além das melhores massas e comida nordestina, todos os tipos de comida como árabe, japonesa, portuguesa, vegana, hamburgueria. Mas não há lugar melhor na cidade para degustar um prato genuinamente brasileiro: Feijoada.

E para aqueles que pensam que a feijoada é um prato criado pelos escravos aproveitando as partes menos nobres do porco não consumidas na casa grande, temos que dizer que isso não passa de uma lenda. Segundo o sociólogo Carlos Alberto Dória, a maioria dos africanos vinham de países onde a religião oficial era o islamismo e eles não tinham o costume de comer carne de porco. Além disso, partes como pés, orelhas e rabo de porco eram consideradas iguarias pelos senhores, até porque a carne não era um alimento comum nem na mesa dos barões.

A origem desse prato, pelo que indicam especialistas em culinária, é milenar, possivelmente da época do Império Romano. Na Europa temos pratos similares como o Cozido, em Portugal, o Cassoulet, na França, a Paella, na Espanha e a Casouela, na Itália. No Brasil, esta forma de cozinhar foi adaptada aos ingredientes locais, com o feijão preto e a farinha de mandioca que são originários da América do Sul.

E para representar o prato que é um dos signos da brasilidade e da união de povos que tanto representam o bairro do Bixiga, apresentamos a Lanchonete do Barulho:

Proprietário da Lanchonete do Barulho | Comer no Bixiga

Edinilson, da Lanchonete do Barulho, apresenta os pratos da casa – Foto: Thais Taverna

Fizemos uma grande pesquisa no bairro para saber qual a melhor feijoada. Claro, quase todas são maravilhosas, mas a grande maioria das pessoas dizia “é a feijoada do Gibas” ou “é a feijoada do Ed” ou “é a feijoada do Saraiva”. Isso causou um pouco de confusão, mas o que todas tinham em comum era o endereço, Rua Major Diogo, 556. Gibas era o antigo proprietário da lanchonete, mas vendeu a casa para o Saraiva que a registrou como Lanchonete do Barulho. Hoje quem toma conta do local é o Edinilson, sócio e cunhado de Saraiva. O próprio Edinilson acha engraçada essa confusão e atende por qualquer um dos nomes. Se alguém chegar lá é disser “aqui é o Gibas?”, ele diz “sim”, “aqui é o Saraiva?”, ele diz “sim”.

O que importa mesmo é que neste endereço, muito próximo ao local onde D. Pedro II colocou a pedra fundamental que deu origem ao bairro, no dia 01 de outubro de 1978, se faz a feijoada campeã do Bixiga. A família pernambucana diz que não pode contar o segredo, mas diz que a feijoada para ficar boa tem que ser curtida. Maria Dulce, mulher de Saraiva, diz que a preparação da feijoada que é servida na quarta começa na segunda-feira e a feijoada do sábado começa a ser feita na quinta-feira.

Feijoada Lanchonete do Barulho | Comer no Bixiga

A concorrida feijoada da Lanchonete do Barulho

Para comer a feijoada, chegue cedo ou faça reserva antes, porque a iguaria é disputada. E se acabar não tem como dar um jeitinho, como colocar mais água no feijão, porque eles prezam muito pela qualidade do prato que colocam na mesa das pessoas. Uma vez Aílton Graça, famoso ator de novelas e filmes, recebeu a indicação e foi até a Lanchonete do Barulho para comer a feijoada. Estava no fim e não havia o que fazer. Ele ficou apenas com metade de uma porção, mas mesmo assim saiu extremamente satisfeito e voltou depois para comer uma inteira.

A refeição vem com feijoada, arroz, couve, farofa, torresmo, mandioquinha frita e bisteca. A porção pequena serve duas pessoas e está em torno de R$ 45,00 e a grande serve 4 pessoas e está R$ 89,00.

Lanchonete do Barulho (também conhecida como Gibas ou Saraiva)

Endereço: Rua Major Diogo, 556
Telefone: 3101-5853

Texto: Nádia Garcia
Imagens de Conchetta, Box 62, Rancho Nordestino e Lanchonete do Barulho: Thais Taverna