Arcos do Bixiga

Arcos do Bixiga após primeira reforma

A descoberta “acidental” que virou patrimônio histórico.

Local: Rua Jandaia
Desde: Entre 1908 e 1913
Construída por: Artesãos Calabreses
Ano de Tombamento: 2002
CONPRESP: Resolução nº 22/2002

Os Arcos do Bixiga fazem parte de uma importante estrutura arquitetônica que marca a história dos imigrantes italianos em São Paulo. Construída no início do século XX, a obra acabou sendo engolida pelo crescimento da cidade e foi redescoberta na década de 80.

Categorizado como monumento municipal em 2002, os “Arcos do Bixiga” compõem um extenso muro desenhado com arcos separados por pilastras e que chega a 11 metros em seu ponto mais alto. Esses trabalhadores utilizaram as técnicas de construção que dominavam na Itália e os tijolos da obra foram fabricados por artesãos vindos da região da Calábria.

História

Fortes chuvas castigaram a cidade de São Paulo no final do século XIX e provocaram grandes deslizamentos de terra na região onde hoje ficam as ruas Jandaia e Assembléia, local que na época era chamado de Travessa Santa Cruz. A prefeitura decidiu então construir um muro de arrimo para resolver o problema.

Para a construção do muro, foram contratados imigrantes italianos que viviam na região do Bixiga. Não há um registro oficial da construção dos arcos. No site da prefeitura existe a informação que eles foram construídos entre 1908 e 1914, mas alguns historiadores garantem que sua construção foi realizada no fim do século XIX.

Acostumados com a arte, algo que é parte da cultura italiana, os trabalhadores construíram um muro belíssimo, mas como aquela havia sido uma obra pública do cotidiano, pouco valor se deu.

O problema de deslizamentos foi resolvido com a construção do muro e a região seguiu em constante desenvolvimento. Aos poucos casarões e sobrados foram erguidos bem na frente dos arcos e sua vista foi completamente apagada da cidade.

São Paulo cresceu num ritmo frenético no século XX, em grande parte impulsionada pelo movimento de expansão do setor industrial. Na década de 60, um projeto de reformulação viária foi elaborado para permitir a interligação da Avenida 23 de Maio com a recém-inaugurada Ligacão Leste-Oeste. Para a construção dessa via de acesso, seria necessário demolir todos os casarões da Rua Assembleia.

A prefeitura iniciou um processo de desapropriação dessas casas e começou a efetuar o pagamento das indenizações aos moradores, que foram abandonando os imóveis. Como os casarões ficaram vazios, acabaram sendo invadidos por famílias carentes e se transformaram em cortiços.

Cortiços que cobriam os Arcos do Bixiga

Cortiços que cobriam os Arcos do Bixiga

Era o início de uma longa briga dessas famílias com o poder público. A prefeitura não conseguia desapropriar essas moradias invadidas e muito menos iniciar as obras de interligação viária. A região se degradou muito e essa situação durou anos.

Em 1987 a prefeitura conseguiu a reintegração de posse. Jânio Quadros, prefeito de São Paulo na época, providenciou a transferência dos moradores e iniciou-se o processo de demolição dos imóveis.

A cada casa demolida descobria-se parte de um muro de grande beleza arquitetônica. Ao final de todo o processo o que encontraram foi um presente deixado pelos dos imigrantes italianos: arcos esculpidos em um mural repleto de história, que acabou virando patrimônio cultural paulistano.

Os Arcos do Bixiga foram restaurados, receberam iluminação especial e jardim. A pracinha, que fica na frente dos arcos, foi batizada de Praça dos Artesãos Calabreses, em homenagem aos trabalhadores que construíram o monumento.

Seu valor patrimonial foi atribuído graças à sua função estrutural, expressão plástica e originalidade da construção. O tombamento foi feito em 2002 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e a descoberta acidental hoje é um dos cartões postais da cidade.

Vídeo: Paulino Tarraf, fotógrafo
Contato: ptarraf@hotmail.com