Vila Itororó

Vila Itororó

A vila surrealista do Bixiga

Local: Rua Martiniano de Carvalho, 265
Desde: década de  20, século XX
Tombamento: 10/03/2005 (mais)
Visitas Monitoradas: R. Pedroso, 238
Horários: consulte no final desta página

Na década de 20 do século passado, um português chamado Francisco de Castro construiu a primeira vila urbana de São Paulo, a Vila Itororó. A grandiosidade e o valor cultural desta obra vão muito além do que nossos olhos conseguem ver.

Composta por um palacete e mais 37 casas, a vila foi construída numa área de 4500 m² na Rua Martiniano de Carvalho, 265, usando boa parte do entulho da demolição do Teatro São José, primeiro teatro da cidade, mas que foi destruído em um incêndio. Foi a primeira obra de engenharia brasileira a utilizar material reciclado.

Obra surrealista

Construída em 1922, a vila é a materialização do conceito de surrealismo, caracterizado pelo abstrato, irreal e inconsciente, uma arte que se liberta de qualquer lógica e razão. À frente do seu tempo, a vila surgiu antes mesmo do Manifesto Surrealista, publicado na França em 1924.

E o surrealismo da obra chamou a atenção de toda a população da cidade. Leões da babilônia guardavam a entrada da mansão, ao lado de estátuas trazidas do teatro, enquanto colunas de estilo romano sustentavam as casas. Vitrais circulares com brasões do antigo império brasileiro ainda são parte da decoração.Tudo muito eclético, sem nenhum tipo de regra ou estilo e dentro de uma topografia totalmente irregular.

Riacho Itororó

A Vila leva este nome por causa do Riacho do Itororó que, canalizado, percorre seu curso abaixo da Avenida 23 de Maio. Suas águas abasteciam a piscina da vila, uma ousadia para a época, já que esta foi a primeira piscina particular da cidade de São Paulo.

História

Vila Itororó PostalApelidado pelos moradores de “Castelo do Bixiga”, a vila era considerada um local chique, onde eram realizados bailes com orquestra e tudo. Mas o proprietário, o português Francisco de Castro, se afundou em dívidas e seu patrimônio foi tomado por credores.

Na década de 40 o local começou a ser invadido e aos poucos acabou se transformando em um grande cortiço. Com a morte de Castro, na década de 50, a vila foi leiloada e posteriormente doada para o Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC).

Nos anos 70 a vila estava muito deteriorada. O SESC planejava comprá-la para criar um centro de convivência cultural, mas processo de compra não deu certo e a degradação continuou de tal forma que em 1997 o HAOC desistiu de cobrar aluguel dos imóveis, que iam ficando cada vez mais destruídos.

Em 2006 a prefeitura declarou que a área era de utilidade pública e em 2009 a justiça deu a posse para a Secretaria de Estado da Cultura. O governo indenizou o hospital em 8 milhões de reais.

Começava uma briga com os moradores da Vila Itororó. Eles deveriam desocupar os imóveis até o final de 2010 e seriam transferidos para prédios da CDHU no próprio bairro. A desocupação se concretizou em 2011.

O novo destino da vila é se tornar um centro cultural e gastronômico. A reforma começou em 2012 e em abril de 2015 ela começou a ser aberta para visitas monitoradas, com o intuito de que a população não só acompanhe a reforma, mas também que ajude a definir o uso do espaço.

Visitas Monitoradas

Caso você queira conhecer o centro cultural montado no canteiro de obras da Vila Itororó, atente-se a essas informações:

Endereço: Rua Pedroso, 238 – Bela Vista (próximo ao metrô São Joaquim)

Abertura do Canteiro de Obras

Quarta-feira: 11h às 17h
Quinta-feira: 11h às 20h
Sexta-feira: 11h às 17h
Sábado: 12h às 17h, fechado a cada terceiro sábado do mês

Visitas Monitoras ao Pátio de Casas

Quartas, quintas e sextas: 16h
Último fim de semana de cada mês (sábado e domingo): 12h, 14h e 16h.
Não abre aos feriados e em caso de dias chuvosos as visitas serão suspensas.